miércoles, 12 de enero de 2011

Cientistas desvendam genoma dos tumores de pele e pulmão


Cigarro
Fumante típico adquire nova mutação a cada 15 cigarros, dizem cientistas
Cientistas desvendaram o código genético de dois dos tipos mais comuns de câncer, o de pele e o de pulmão, e dizem que a descoberta significa uma transformação na forma como a doença é entendida.
"O que vemos hoje mudará a forma como enxergamos o câncer", disse Mike Stratton, britânico integrante do Cancer Genome Projetc (Projeto do Gênoma do Câncer), iniciativa que reune cientistas de 10 países que tentam mapear os genomas dos principais tipos de câncer.
"Nunca vimos o câncer revelado desta forma antes", completou.
O mapeamento abre caminho para testes sanguíneos capazes de detectar tumores mais cedo do que atualmente e novas drogas para tratamento.
Cigarro
O cientistas sequenciaram o DNA de tecidos cancerígenos e normais e os compararam. Os com tumores de pulmão apresentavam 23 mil mutações, quase todas causadas pelo fumo.
Os especialistas calcularam que um fumante típico adquire uma nova mutação para cada 15 cigarros que fuma.
"É como jogar roleta russa. A grande maioria das mutações não causará câncer, mas algumas podem", diz Peter Campbell, responsável pela pesquisa.
Ao largar o cigarro, o risco é reduzido gradualmente até que a possibilidade de câncer de pulmão volta a ser a mesma de alguém que nunca fumou. Suspeita-se que isso ocorra porque as células com mutações são repostas por células saudáveis.
Os cientistas descobriram que para o câncer de pele melanoma, as mutações, quase todas causadas opela exposição ao sol, chegam a 30 mil.
Os cientistas dizem que pode ser possível no futuro determinar exatamente quais hábitos e outros fatores causam tumores diferentes.

Pesquisa alerta para confusão entre sintomas de gripe e câncer de pulmão

Jane Elliott

Alan German
Alan German foi diagnosticado com câncer de pulmão depois de sofrer de falta de ar
Uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha revelou que pacientes confundem com frequência sintomas de uma gripe forte com sintomas de câncer de pulmão.
De acordo com o estudo feito em parceria pela Royal Pharmaceutical Society (RPS) e pelo instituto de pesquisa YouGov, 66% de 2.294 pessoas entrevistadas afirmaram que podem confundir alguns dos sintomas importantes de câncer de pulmão com os de um resfriado ou uma gripe mais forte.
Apenas 33% dos questionados afirmaram que a tosse é um sinal de alerta para o câncer de pulmão, e apenas 11% mencionaram especificamente a tosse persistente - um dos sintomas mais importantes da doença.
A pesquisa também mostrou que apenas 48% afirmaram que a falta de fôlego era um sinal de alerta, enquanto apenas 29% declararam que tossir sangue ou a presença de sangue no catarro é um sintoma importante. Entre os pesquisados, 15% mencionaram dores no peito ou no pulmão e 10% mencionaram perda de peso.
"Se você não reconhece um sintoma que é importante, então você não vai perceber que precisa de ajuda", afirmou Graham Phillips, farmacêutico membro da RPS.
"O diagnóstico precoce do câncer de pulmão salva vidas. Quando os sintomas aparecem e são reconhecidos no estágio inicial, o tratamento tem chance maior de ser bem sucedido", acrescentou.
Seis meses
Alan German, de 59 anos, que mora em Nottinghamshire, é um dos casos de pessoas que não conseguiram suspeitar de câncer de pulmão a partir de sintomas. Ele sentiu falta de ar durante as férias e foi levado por sua esposa, Diana, para o hospital.
Os médicos encontraram um tumor em seu pulmão. Graças à ação rápida de Diana, que é farmacêutica, German conseguiu fazer o tratamento e, oito anos depois, está vivo e bem de saúde. Ele admite que, se fosse por ele, provavelmente teria ignorado os sintomas iniciais, pensando que era apenas uma gripe.
"Nunca pensei (que os sintomas de gripe) poderiam estar ligados ao câncer de pulmão e tenho muita, muita sorte por ter sido detectado (o câncer)", disse.
"A última coisa que pensei é que era câncer, particularmente, câncer de pulmão."
"No dia anterior tínhamos caminhado dez milhas (mais de 16 quilômetros), sem problema nenhum. Até então, eu nunca tive nenhum outro sintoma como tosse, então isso foi totalmente surpreendente", afirmou German.

Tamanho do dedo indicador aponta risco de câncer de próstata, diz estudo


Bebê no útero
Bebês são expostos a hormônios ainda no útero
Uma pesquisa britânica afirmou que o comprimento dos dedos de um homem pode indicar qual o risco de desenvolvimento de câncer de próstata.
O estudo, publicado na revista especializada British Journal of Cancer, descobriu que homens cujo dedo indicador era mais longo do que o dedo anular tinham uma probabilidade significativamente menor de desenvolver a doença.
Os pesquisadores fizeram a descoberta depois de comparar as mãos de 1,5 mil pacientes com câncer de próstata com as mãos de 3 mil homens saudáveis.
O comprimento dos dedos é determinado durante a gestação e estaria ligado aos níveis de hormônios sexuais no útero da mãe.
De acordo com os cientistas do Instituto de Pesquisa do Câncer da Universidade de Warwick, a criança terá um dedo indicador mais longo se for exposta a níveis menores de testosterona antes do nascimento, o que poderá ser uma proteção contra o câncer de próstata na fase adulta.
Exames
Uma das autoras da pesquisa, a professora Ros Eeles, afirmou que ainda serão necessários mais estudos nesta área, mas, se esta descoberta for confirmada, poderia ser usada para um exame simples que poderia detectar o risco de um homem desenvolver o câncer de próstata.
"Esta descoberta significa que o padrão dos dedos pode, potencialmente, ser usado para selecionar homens que tem o risco (de desenvolver a doença) para os exames, talvez uma combinação com outros fatores como histórico familiar ou testes genéticos", afirmou.
A pesquisa da Universidade de Warwick foi financiada por instituições de caridade britânicas voltadas para a pesquisa e assistência a pacientes de câncer, como a Prostate Action e a Cancer Research UK.
Emma Halls, diretora-executiva da Prostate Action, afirmou que a pesquisa "nos coloca um passo a frente para ajudar a determinar os fatores de risco para câncer de próstata".
"No entanto, ainda estamos muito longe de reduzir o número de homens que morrem de câncer de próstata todos os anos e precisamos de mais pesquisa e educação em todas as áreas para conseguir isto", acrescentou.
Para a médica Helen Rippon, chefe do setor de pesquisa da instituição de caridade The Prostate Cancer Charity, a pesquisa é mais uma das provas de que o equilíbrio dos hormônios aos quais somos expostos antes do nascimento influencia o resto de nossas vidas.
Mas, Rippon acrescentou que homens cujos dedos indicadores são mais curtos não devem ficar "desnecessariamente preocupados".
"Eles dividem este traço com mais de metade de todos os homens e isto não significa que eles vão, definitivamente, desenvolver câncer de próstata."

Suco de romã pode frear metástase de câncer de próstata


Romã (arquivo)
Componentes químicos do suco da romã também poderiam ser usados em outros tipos de câncer
Pesquisadores da Universidade Riverside, da Califórnia, identificaram componentes no suco de romã que podem inibir os movimento de células cancerosas e a metástase do câncer de próstata.
A descoberta, diz Manuela Martins-Green, uma das pesquisadoras, pode ainda ter impacto no tratamento de outros tipos de câncer.
Quando o câncer de próstata reaparece no paciente depois de tratamentos como cirurgia e/ou radiação, geralmente o próximo passo é a supressão do hormônio masculino testosterona, um tratamento que inibe o crescimento das células cancerosas, pois elas precisam do hormônio para crescer.
Mas, com o tempo, o câncer desenvolve formas de resistir também a esse tratamento, se transforma em um câncer muito agressivo e sua metástase ataca a medula óssea, pulmões, nódulos linfáticos e geralmente resulta na morte do paciente.
O laboratório americano aplicou o suco de romã em células de câncer de próstata cultivadas em laboratório que já eram resistentes à testosterona - quanto mais resistente à testosterona uma célula cancerosa é, maior é a sua tendência à metástase.
Os pesquisadores então descobriram que as células tratadas com o suco de romã que não morreram com o tratamento mostraram uma maior adesão, o que significa que menos células se separavam, e também queda na movimentação dessas células.
Em seguida os pesquisadores identificaram os grupos ativos de ingrediente no suco de romã que tiveram impacto molecular na adesão das células e na migração de células cancerosas no câncer de próstata já em estado de metástase.
"Depois de identificá-los, agora podemos modificar os componentes inibidores do câncer no suco de romã para melhorar suas funções e fazer com que eles sejam mais eficazes na prevenção da metástase do câncer de próstata, levando a terapias com remédios mais eficazes", disse Manuela Martins-Green.
Outros tipos de câncer
A pesquisadora afirma que a descoberta pode ter impacto no tratamento de outros tipos de câncer.
"Devido (ao fato de) os genes e proteínas envolvidas no movimento das células de câncer de próstata serem essencialmente os mesmos que os envolvidos no movimento de células em outros tipos de câncer, os mesmos componentes modificados do suco poderão ter um impacto muito mais amplo no tratamento do câncer", afirmou.
Manuela Martins-Green explicou ainda que uma proteína importante produzida na medula óssea leva as células cancerosas a se mover para a medula onde elas poderão formar novos tumores.
"Mostramos que o suco de romã inibe a função dessa proteína e, assim, esse suco tem o potencial de evitar a metástase das células do câncer de próstata para a medula", disse.
Os próximos planos da pesquisadora são fazer testes adicionais em um organismo vivo com câncer de próstata em em fase de metástase para determinar se os mesmos componentes que foram eficazes nas células cultivadas em laboratório poderão evitar a metástase sem efeitos colaterais.

Pesquisa indica que chá verde protege contra Alzheimer e câncer


Ed Okello no laboratório da Universidade de Newcastle (PA)
Okello diz que compostos do chá são eficazes depois da digestão
Um estudo da Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha, indica que o chá verde pode proteger o cérebro de doenças como o Mal de Alzheimer e outros tipos de demência.
A pesquisa, divulgada na publicação especializadaPhytomedicine, também sugere que o antigo remédio chinês que tem se popularizado no mundo todo também pode ter um papel muito importante na proteção do corpo contra o câncer.
No estudo, os cientistas investigaram se as propriedades benéficas do chá verde, que já tinham sido comprovadas no chá recém-preparado e não digerido, ainda se mantinham ativas uma vez que o chá fosse digerido.
De acordo com Ed Okello, professor da Escola de Agricultura, Alimento e Desenvolvimento da Universidade de Newcastle e que liderou o estudo, a digestão é um processo vital para conseguir os nutrientes necessários, mas também significa que nem sempre os compostos mais saudáveis dos alimentos serão absorvidos pelo corpo, podendo se perder ou modificar no processo.
"O que foi realmente animador neste estudo é que descobrimos que, quando o chá verde é digerido pelas enzimas do intestino, os compostos químicos resultantes são até mais eficazes contra gatilhos importantes do Alzheimer do que a forma não digerida do chá", disse.
"Além disso, também descobrimos que os compostos digeridos (do chá verde) tinham propriedades contra o câncer, desacelerando de forma significativa o crescimento de células do tumor que usamos em nossas experiências", acrescentou.
Na pesquisa, a equipe da Universidade de Newcastle trabalhou em conjunto com cientistas da Escócia, que desenvolveram uma tecnologia que simula o sistema digestivo humano. Graças a esta tecnologia, a equipe de Newcastle conseguiu analisar as propriedades protetoras dos produtos da digestão do chá.
Chás verde e preto
Dois compostos já são conhecidos por seu papel importante no desenvolvimento do Alzheimer, o peróxido de hidrogênio e uma proteína conhecida como beta-amilóide.
Pesquisas anteriores mostraram que compostos conhecidos como polifenóis, presentes nos chás verde e preto, tem propriedades neuroprotetoras, pois se ligam a compostos tóxicos e protegem as células do cérebro.
Quando ingeridos, os polifenóis são quebrados e produzem uma mistura de compostos. Foram estes compostos que os cientistas de Newcastle testaram.
"É uma das razões pela qual temos que ser tão cuidadosos quando fazemos afirmações a respeito dos benefícios para a saúde de vários alimentos e suplementos", disse Okello.
"Existem certos compostos químicos que sabemos que são benéficos e podemos identificar alimentos que são ricos nestes compostos, mas o que acontece durante o processo de digestão é crucial para saber se estes alimentos estão mesmo nos fazendo bem", afirmou.
Proteção de células
Os cientistas usaram modelos de células de tumor, expondo estas células a várias concentrações de diferentes toxinas e aos compostos do chá verde digerido.
"Os compostos químicos digeridos (do chá) protegeram as células (saudáveis), evitando que fossem destruídas pelas toxinas", disse Okello.
"Também observamos que eles afetaram células cancerosas, desacelerando de forma significativa seu crescimento."
"O chá verde é usado há séculos na medicina tradicional chinesa, e o que temos aqui dá provas científicas do porquê pode ser eficaz contra algumas das doenças mais importantes que enfrentamos hoje", acrescentou.

Técnica com transplante de tumor a camundongo ‘cura’ paciente de câncer de pâncreas


Mark Gregoire (ao centro) com a família
Gregoire (ao centro) tinha prognóstico de poucas semanas de vida em 2006
Pesquisadores espanhois conseguiram eliminar um tumor maligno de um paciente com câncer de pâncreas em estado avançado graças a uma técnica que envolveu o transplante do tumor para camundongos.
O paciente, o americano Mark Gregoire, havia recebido em maio de 2006 o prognóstico de uma sobrevida de poucas semanas. Três de seus sete irmãos morreram em consequência do mesmo tipo de câncer de pâncreas, que mata 95% dos pacientes.
Mais de quatro anos depois, Gregoire, de 65 anos, não apresenta mais sinais do tumor em seu corpo, apesar de os médicos ainda advertirem que é cedo para dizer que ele foi totalmente curado.
Os pesquisadores, da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, e do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO, na sigla em espanhol), de Madri, desenvolveram as células do tumor que acometia Gregoire em camundongos de laboratório, para que pudessem testar simultaneamente a reação do tumor a dezenas de possibilidades de remédios sem expor o paciente aos possíveis efeitos colaterais.
Com isso, eles descobriram que o câncer de Gregoire podia ser tratado com a droga mitomicina-C, uma droga que inibe a divisão das células tumorais. O paciente vinha recebendo doses de quimioterapia padrão para câncer de pâncreas, sem resultados, mas se recuperou rapidamente com o novo tratamento.
“Todos os tumores têm um ponto vulnerável, mas a dificuldade é identificar isso, por conta da diversidade genômica dos tumores”, explicou à BBC Brasil o coordenador do estudo, Manuel Hidalgo.
“A probabilidade de que outro paciente com câncer de pâncreas tenha o mesmo tipo de tumor que Gregoire é de 1% a 3%”, diz ele. As variações possíveis de tratamentos chegam a quase cem, segundo ele. “Daí a necessidade de personalizar o tratamento”, afirma.
Genoma
Paralelamente ao estudo do efeito dos remédios com a ajuda dos camundongos, os médicos sequenciaram o DNA das células cancerígenas do paciente para identificar a mutação genética responsável pelo desenvolvimento do câncer.
“Analisamos cerca de 20 mil genes e encontramos uma mutação em um deles que explica por que o tumor responde bem à mitomicina-C”, relata Hidalgo.
Assim, será possível no futuro identificar se outro paciente tem um tumor com a mesma variação genética que a de Gregoire, eliminando a necessidade do procedimento com os camundongos.
O estudo do caso de Mark Gregoire foi relatado em um artigo publicado na última edição da revista especializada Molecular Cancer Therapeutics. Segundo Hidalgo, a técnica com o transplante do tumor a camundongos vem sendo ainda testada com outros 15 pacientes, com nível de sucesso semelhante.
Segundo Hidalgo, a agressividade dos tumores está relacionada em parte à falta de tratamento adequado a eles, o que pode ser resolvido pela nova técnica. “Se tivermos tratamentos mais eficazes, os tumores podem ser mais bem controlados”, afirma.
O pesquisador afirma que a técnica até agora vem sendo testada com pacientes de câncer de pâncreas, mas pode ser também usada para tumores de cólon, pulmão ou pele (melanoma), cujas células podem ser transplantadas mais facilmente para animais.

Italiano atingido por tiro elimina bala pelo nariz ao espirrar


Bala calibre 22 se alojou na narina e foi expelida de forma inusitada
Um jovem italiano atingido na cabeça por uma bala perdida durante as comemorações do Ano Novo em Nápoles, na Itália, surpreendeu os médicos ao expelir a bala pela narina durante um espirro.
Darco Sangermano, de 28 anos, passeava pelas ruas da cidade italiana com a namorada.
À meia-noite, quando o céu explodiu com os tradicionais fogos de artifício e - uma outra tradição local - ocasionais tiros de revólver, Sangermano foi atingido no lado da cabeça por uma bala perdida.
Sangrando muito, ele foi levado às pressas para o hospital para receber tratamento de emergência.
Mas, enquanto aguardava atendimento na fila de espera, o paciente espirrou, e a bala de calibre 22 saiu por sua narina direita.
Segundo os médicos, a bala - que passou por trás do olho do paciente e se alojou na narina - teve seu impacto amortecido quando atingiu o crânio de Sangermano.
Isso não apenas salvou o olho do italiano como também, provavelmente, sua vida, acreditam os médicos.
Sangermano, da cidade de Turim, deverá ser submetido a uma cirugia a laser no olho direito para reparar sua retina danificada.
Fora isso, a expectativa dos médicos é de que o paciente se recupere totalmente.